As Várias Faces da Precariedade

 

Precariedade laboral também atinge quem tem emprego estável
Quem tem um emprego estável também pode sentir-se um trabalhador precário, defende a socióloga Luísa Veloso, alertando para os riscos da pressão contínua para concretizar objectivos, sobrecarga horária e viagens frequentes.
As transformações do mercado laboral mudaram os vínculos entre empresa e trabalhador, que se tornaram «muito mais heterogéneos», e fizeram emergir novas formas de precariedade sentidas de maneira subjectiva, observou Luísa Veloso, investigadora do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE).
A «precariedade subjectiva» está associada ao assédio moral, afecta pessoas com qualificações superiores e sem qualificações, e «é sentida por determinados trabalhadores, que têm uma situação laboral estável, mas sofrem uma pressão permanente» para concretizar os objectivos das instituições e das empresas, objectivos esses que muitas vezes estão «para além do que conseguem ou têm condições para fazer».
«Há uma intensificação do trabalho e um limite que deixou de ser reconhecido. Os trabalhadores passaram a ser designados como colaboradores e uma forma de ‘colaborarem’ é participarem nos objectivos. Esta linguagem de pendor ideológico é também uma pressão para cumprir os objectivos», considerou a socióloga.
O acréscimo da mobilidade, com deslocações frequentes dentro e fora do país, e o trabalho extra não remunerado são alguns exemplos desta intensificação.
Para Luísa Oliveira, docente do ISCTE e investigadora no Dinâmia (Centro de Estudos sobre a Mudança Socio-Económica), não existem dúvidas de que os vínculos laborais estão mais enfraquecidos, «na medida em que o quadro da precariedade de emprego questiona as bases económicas de sustentação do emprego em si mesmo», justificou.
A investigadora considerou que a crise actual deu visibilidade a um problema «que não é novo em Portugal, dada a fragilidade do tecido produtivo», sugerindo que a precariedade do emprego se deve sobretudo à fragilidade da economia e que são as empresas quem mais beneficia.
«Beneficiam fundamentalmente porque os salários são mais baixos, os precários não têm capacidade negocial, nem carreira, nem promoções e são mais facilmente descartáveis. Num contexto de crise, com as taxas de desemprego a subir, há abundância de mão-de-obra, o que permite às pessoas abastecer-se facilmente perante as variações da conjuntura», comentou Luísa Oliveira.
Mas a redução de custos no curto prazo, avisa Luísa Veloso, pode sair cara no futuro, já que o processo de aprendizagem de cada trabalhador temporário tem de ser reiniciado de cada vez que este é substituído.
As agências de trabalho temporário que, segundo Luísa Veloso, «cresceram exponencialmente na última década» constituem elas próprias uma oportunidade de emprego, criando postos de trabalho para especialistas em recursos humanos, psicólogos e sociólogos que se dedicam ao processo de recrutamento e selecção.
Mas se o emprego estável continua a ser o preferido da maiorias das pessoas, há quem reconheça vantagens no trabalho independente, sublinha esta especialista.
«Há pessoas que encaram o trabalho independente de forma positiva: podem ganhar mais porque trabalham para vários sítios e têm um horário flexível».
Já Luísa Oliveira salientou que após um «período de expansão económica sem precedentes – os 30 anos dourados de crescimento e pleno emprego», com o surgimento de uma nova ordem económica e social «está tudo em jogo outra vez».
«Precisamos de um novo contrato social entre Estado, patrões e sindicatos à escala global, o que implica um novo quadro de relacionamento institucional entre países», reforçou a investigadora.
Lusa/SOL
Não bastava a crescente precariedade que o capitalismo fez cair sobre a grande maioria dos trabalhadores, assistimos hoje às diversas faces que a precariedade pode assumir. Numa sociedade em que a obtenção do máximo lucro ultrapassa a esfera da decência, os trabalhadores preocupam-se constantemente com os seus resultados, em dar mais à empresa, empenhando muitas vezes a sua vida privada e familiar, sob a ameaça de despedimento, afinal de contas existe um exército de desempregados à espera da oportunidade de voltar ao activo. È desta forma que o capitalismo gera o seu lucro e trata aqueles responsáveis pela produção da riqueza.
Resta-nos pensar se é esta a sociedade que queremos, se é este o conceito de emprego que queremos abraçar, porque a mudança está ao nosso alcance, a mudança acontece quando unirmos as nossas vozes e gritarmos bem alto “CHEGA”.
 

Precariedade laboral também atinge quem tem emprego estável


Quem tem um emprego estável também pode sentir-se um trabalhador precário, defende a socióloga Luísa Veloso, alertando para os riscos da pressão contínua para concretizar objectivos, sobrecarga horária e viagens frequentes.

As transformações do mercado laboral mudaram os vínculos entre empresa e trabalhador, que se tornaram «muito mais heterogéneos», e fizeram emergir novas formas de precariedade sentidas de maneira subjectiva, observou Luísa Veloso, investigadora do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE).

A «precariedade subjectiva» está associada ao assédio moral, afecta pessoas com qualificações superiores e sem qualificações, e «é sentida por determinados trabalhadores, que têm uma situação laboral estável, mas sofrem uma pressão permanente» para concretizar os objectivos das instituições e das empresas, objectivos esses que muitas vezes estão «para além do que conseguem ou têm condições para fazer».

«Há uma intensificação do trabalho e um limite que deixou de ser reconhecido. Os trabalhadores passaram a ser designados como colaboradores e uma forma de ‘colaborarem’ é participarem nos objectivos. Esta linguagem de pendor ideológico é também uma pressão para cumprir os objectivos», considerou a socióloga.

O acréscimo da mobilidade, com deslocações frequentes dentro e fora do país, e o trabalho extra não remunerado são alguns exemplos desta intensificação.

Para Luísa Oliveira, docente do ISCTE e investigadora no Dinâmia (Centro de Estudos sobre a Mudança Socio-Económica), não existem dúvidas de que os vínculos laborais estão mais enfraquecidos, «na medida em que o quadro da precariedade de emprego questiona as bases económicas de sustentação do emprego em si mesmo», justificou.

A investigadora considerou que a crise actual deu visibilidade a um problema «que não é novo em Portugal, dada a fragilidade do tecido produtivo», sugerindo que a precariedade do emprego se deve sobretudo à fragilidade da economia e que são as empresas quem mais beneficia.

«Beneficiam fundamentalmente porque os salários são mais baixos, os precários não têm capacidade negocial, nem carreira, nem promoções e são mais facilmente descartáveis. Num contexto de crise, com as taxas de desemprego a subir, há abundância de mão-de-obra, o que permite às pessoas abastecer-se facilmente perante as variações da conjuntura», comentou Luísa Oliveira.

Mas a redução de custos no curto prazo, avisa Luísa Veloso, pode sair cara no futuro, já que o processo de aprendizagem de cada trabalhador temporário tem de ser reiniciado de cada vez que este é substituído.

As agências de trabalho temporário que, segundo Luísa Veloso, «cresceram exponencialmente na última década» constituem elas próprias uma oportunidade de emprego, criando postos de trabalho para especialistas em recursos humanos, psicólogos e sociólogos que se dedicam ao processo de recrutamento e selecção.

Mas se o emprego estável continua a ser o preferido da maiorias das pessoas, há quem reconheça vantagens no trabalho independente, sublinha esta especialista.

«Há pessoas que encaram o trabalho independente de forma positiva: podem ganhar mais porque trabalham para vários sítios e têm um horário flexível».

Já Luísa Oliveira salientou que após um «período de expansão económica sem precedentes – os 30 anos dourados de crescimento e pleno emprego», com o surgimento de uma nova ordem económica e social «está tudo em jogo outra vez».

«Precisamos de um novo contrato social entre Estado, patrões e sindicatos à escala global, o que implica um novo quadro de relacionamento institucional entre países», reforçou a investigadora.

Lusa/SOL

 

Não bastava a crescente precariedade que o capitalismo fez cair sobre a grande maioria dos trabalhadores, assistimos hoje às diversas faces que a precariedade pode assumir. Numa sociedade em que a obtenção do máximo lucro ultrapassa a esfera da decência, os trabalhadores preocupam-se constantemente com os seus resultados, em dar mais à empresa, empenhando muitas vezes a sua vida privada e familiar, sob a ameaça de despedimento, afinal de contas existe um exército de desempregados à espera da oportunidade de voltar ao activo. È desta forma que o capitalismo gera o seu lucro e trata aqueles responsáveis pela produção da riqueza.

Resta-nos pensar se é esta a sociedade que queremos, se é este o conceito de emprego que queremos abraçar, porque a mudança está ao nosso alcance, a mudança acontece quando unirmos as nossas vozes e gritarmos bem alto “CHEGA”.

Contradições Futebolísticas

Mano Nunes confirma salários em atraso no Beira-Mar

O presidente do Beira-Mar confirmou esta quarta-feira à Agência Lusa a existência de salários em atrasos nos aveirenses, mas garantiu que não há situações de dificuldade no plantel e que os atletas estão solidários com o actual momento de crise.

O presidente da Comissão Administrativa do clube de Aveiro esclareceu à Agência Lusa: “Regularizámos hoje parte do atraso de Fevereiro, na medida das necessidades expressas pelos jogadores”.

“Temos estado em contacto permanente com os atletas e estamos atentos a qualquer situação mais difícil, mas temos sentido que o grupo de trabalho continua a confiar nesta direcção” afirmou.

Mano Nunes explicou que as contrariedades sentidas no clube aveirense ultrapassam a crise que atinge o futebol profissional: “o nosso maior obstáculo foi a pesada herança que nos deixaram e o facto de estarmos a pagar dois anos num”.

O dirigente “auri-negro” acrescentou ainda que a falta de celeridade no cumprimento do acordo com a autarquia de Aveiro tem sido crucial para este impasse financeiro: “o protocolo assinado com a Câmara iria dar-nos o fôlego que precisávamos para a sustentabilidade”.

Dívida da antiga gestora do estádio na origem do problema

Em causa está o cumprimento de um acordo conseguido pela actual Comissão Administrativa para saldar a dívida da antiga empresa gestora do estádio, a EMA, ao clube aveirense, respeitante às verbas para gestão do mesmo.

As duas partes acordaram, entre outros pontos, uma permuta de terrenos para regularizar os valores em dívida, mas a hipoteca de um desses terrenos complica que o acordo se cumpra.

Mano Nunes rejeita cenários de pessimismo, mas assegura: “está em causa o futuro do Beira-Mar e se nada for feito, o clube pode acabar por morrer por asfixia”.

Todavia, o dirigente remata: “temos um acordo assinado e é a isso que esta direcção se agarra, mas infelizmente, no nosso caso, temo porque o tempo pode ter um papel muito cruel” concluiu.

 

Algumas semanas após ter afirmado que o Beira-Mar é um clube que “dá lucro”, o Presidente Mano Nunes, veio finalmente confirmar um panorama bem mais credível face ao momento vivido. Não seria de se esperar que um clube a actuar na Liga de Honra e que, actualmente, se encontra a pagar a três treinadores, conseguisse ter dinheiro a sobejar, quando o que mais se vê são clubes a naufragar em mares de dívidas.

Seria, talvez, de repensar o modelo de gestão do Clube, não só pela sua direcção mas também pelos sócios, pelos simpatizantes ou mesmo pelos aveirenses. Está na altura de decidir se o interesse está num clube que procure a sobrevivência desportiva nos tempos que correm, ou se está na altura de devolver o clube à cidade, aos jovens que pretendem praticar desporto, à promoção do futebol como um meio de convívio entre indivíduos. Talvez seja altura de nos afastarmos daquilo que o futebol se tornou e construirmos um caminho melhor, longe dos lucros, longe da ganância, longe da corrupção.